Notícia

Após quase 30 anos de acidente aéreo, corpos dos cinco 'Mamonas Assassinas' serão exumados

Compartilhar:
Cover Image

Mamonas Assassinas.

Foto: Marco Antônio Teixeira

Famílias entraram em acordo para cremar os restos mortais e transformá-los em adubo

Nesta segunda, 23, serão exumados os corpos dos cinco Mamonas Assassinas — a banda que divertiu o país com letras debochadas como “Brasília amarela” e “Pelados em Santos” — para tudo terminar num acidente aéreo na Cantareira, que completa 30 anos no próximo dia 2.

As famílias entraram em acordo para cremar os corpos e transformá-los em adubo para plantar cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, a cidade onde moravam.

Naquele sábado, dia 2 de março de 1996, os músicos Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli voltavam de um show em Brasília num jatinho Learjet modelo 25D, prefixo PT-LSD, fretado pela banda.

Eram 23h15 quando a aeronave se chocou na Serra da Cantareira, ao Norte de São Paulo, numa tentativa de arremetida. Além dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas, o acidente matou o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o co-piloto Alberto Takeda, o ajudante de palco Isaac Souto e o segurança Sérgio Porto.

Os Mamonas Assassinas estavam no auge. A irreverência de seu "rock cômico", com letras e visual escrachados, conquistara o Brasil.

Os Mamonas Assassinas: no alto, Dinho, Samuel Reoli e Sérgio Reoli; abaixo, Júlio Rasec e Bento Hinoto — Foto: Divulgação

O primeiro e único disco, com o nome da banda, havia sido lançado em junho de 1995 e, nos oito meses seguintes, teve 1,8 milhão de cópias vendidas (no total até hoje, foram 3 milhões de cópias, o terceiro maior êxito comercial entre artistas nacionais em todos os tempos). O grupo vinha fazendo shows no Brasil todo e viajaria para se apresentar em Portugal ainda na primeira semana daquele mês.

O show no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, seria o último da turnê no Brasil, antes de a banda se concentrar em seu segundo disco. Os Mamonas tocaram para um público de cerca de 4 mil pessoas, na maioria crianças e adolescentes.

Vestindo uma fantasia de coelhinho de pelúcia, Dinho cantava e dançava com a energia de sempre. Ao fim da performance, o cantor desceu ao gramado da arena e agradeceu. Em seguida, foram todos direto para o aeroporto e trocaram de roupa no carro, como fizeram muitas vezes antes.

O Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos, na Grande São Paulo, estava lotado com 30 mil pessoas quando os corpos dos cinco roqueiros e dos dois assistentes chegaram às 0h15 de segunda-feira. Os caixões, cobertos com bandeiras do Brasil, ficaram lado a lado na quadra esportiva, em meio a cerca de 300 familiares e amigos próximos. No caixão de Dinho, foi colocada ainda uma camisa do Corinthians. Ao redor da cena, os fãs cantavam sucessos como "Sabão Crá-Crá" e "Pelados em Santos" a plenos pulmões.

A comoção no ginásio continuou crescendo ao longo da segunda-feira, concentrando um sentimento que se espalhava pelo país. Segundo uma reportagem do GLOBO assinada pelo jornalista Elio Gaspari, "amigos de Guarulhos e desta vida" escreveram mensagens em camisetas de pano estendidas sobre os caixões. "Você é dez", "O céu estava precisando de alegria", "Ainda te vejo". Os recados eram de jovens moradores de "conjuntos habitacionais projetados para viver sem alma", onde também haviam crescido Dinho e seus parceiros.

Mais de cem mil pessoas estavam no cortejo que levou os corpos até o cemitério Parque das Primaveras I, na parte da tarde. Atendendo a pedidos das famílias, a Polícia Militar impediu a multidão de entrar. Houve tumulto, e foram registrados 31 desmaios. Do lado de fora, muitos fãs agitavam galhos e folhas de mamona, além de cartazes e bandeiras improvisados. Turmas inteiras de ensino fundamental das redes pública e privada mataram aula para estar perto do cemitério na despedida da banda. Houve muito choro e desespero

Ambulantes vendiam tiaras, bandeirinhas brancas com a inscrição "Adeus, Mamonas" e reproduções de fotos da banda, entre outras bugigangas.

Dentro do cemitério, cerca de 500 pessoas, acompanharam o enterro. Os cinco integrantes dos Mamonas foram colocados, junto com Isaac Souto, num mesmo túmulo. A cerimônia teve pouco mais de 40 minutos e incluiu um "Parabéns a você", em homenagem a Dinho, que, naquele dia 4 de março de 1996, completaria 25 anos de idade. Sua namorada, Valeria Zopello, chorava copiosamente e chegou a passar mal algumas vezes. Depois do enterro, ela reuniu forças para deixar uma declaração sobre os músicos.

  • Apesar de todos terem mais de 22 anos, os Mamonas eram crianças - disse ela: - Os meninos gostariam que daqui pra frente a gente fosse alegre como eles foram.

Fonte: oglobo.globo.com

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

SEMAD promoveu workshop especial em homenagem às mães servidoras

A ação foi realizada no Centro Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC)

Saiba mais
Cover Image

Atletas plantam 30 mudas de árvores na Lagoa Maior em alusão aos Jogos Escolares

Como parte da programação dos Jogos Escolares da Juventude de Mato Grosso do Sul, 30 mudas de árvores nativas foram plantadas na região da Lagoa Maior

Saiba mais
Cover Image

Secretários de Educação de toda a região participam de encontro em Selvíria

O evento foi voltado a líderes educacionais, dirigentes e equipes técnicas das Secretarias Municipais de Educação da Costa Leste

Saiba mais
Cover Image

CIDADE EMPREENDEDORA – Prefeitura de Três Lagoas lança Plano de Desenvolvimento Municipal na segunda (08)

O evento será realizado na próxima segunda-feira, 08 de dezembro, das 14h às 17h, no Sebrae.

Saiba mais
Cover Image

Pesquisadora Margareth Dalcolmo recebe medalha Oswaldo Cruz

Ela foi uma das principais vozes de orientação na pandemia de covid-19

Saiba mais
Cover Image

Humberto e Ronaldo abrem hoje a primeira noite da 5ª Festa do Peixe de Selvíria

A noite ainda terá apresentações da dupla Henrique e Najla e Dj Anderson

Saiba mais